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A questão do Bem e do Mal

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Vivemos numa época em que a sociedade parece se interessar avidamente por assuntos espirituais. Podemos observar a proliferação de pessoas, grupos, centros, livros e músicas falando de espiritualidade e de valores transcendentes. Vemos a espiritualidade penetrar até mesmo espaços tradicionalmente laicos, por exemplo os meios empresariais que são hoje afeitos às práticas meditativas para reduzir o estresse do modo de vida contemporâneo. A abertura da informação e o interesse crescente por assuntos espiritualistas antes ocultos são indícios de um tempo de maiores possibilidades de amadurecimento espiritual.

Ao mesmo tempo, vivemos uma época em que o mal se pronuncia nos acontecimentos sociais e humanos de forma bastante clara e contundente. Muitos hesitam em reconhecer essa presença aumentada do mal no mundo, talvez por medo de estimular a formação de uma prisão coletiva de negatividade. Mas o fato é que, além de observarmos previsões espiritualistas tensas sobre mecanismos sombrios em vias de serem desencadeados na Terra, até mesmo a comunidade cientítica adiantou recentemente os ponteiros do relógio do hecatombe.

Uma dualidade natural

A maior abertura e possibilidade coletiva de contato com a luz espiritual convive, então, com a existência de um terreno fértil para a proliferação das forças do mal. “Mal” este que, diga-se de passagem, é um organismo que só existe a partir das células que são os pequenos males que habitam de forma latente ou manifesta a consciência de cada um de nós. Não há grande mal que não se inicie ou se fortaleça nas atitudes individuais.

Mas existe uma lógica nessa aparente contradição. Quando o bem começa a se apresentar, o mal não faz por menos, pois a função do mal é manter o bem vivo, e até fortalecê-lo. A presença do mal torna o bem mais inventivo e criativo e testa os seus limites – ou melhor, os limites da nossa resolução de praticá-lo.

É fácil ser espiritualizado, tranquilo e iluminado quando se está isolado ou entre iguais num retiro idílico, longe dos problemas do dia a dia. É bem mais difícil manter a compostura espiritual em meio ao caos de imagens, sons, emoções e pensamentos densos da vida cotidiana e dos acontecimentos nefastos que nos circundam ou mesmo nos afetam.

É útil procurar fazer as pazes com o fato de que o plano físico é o reino das dualidades, e que assim por muito tempo será. Enquanto o plano do espírito é o plano da integralidade, da inteireza e da perfeição ainda distantes de nosso nível evolutivo, a matéria se manifesta de forma polar e contraditória. Luz e sombra, integração e desintegração, hostilidade e fraternidade… O planeta produz toda sorte de experiências, dependendo de quais forças acabam prevalecendo na dinâmica de um determinado contexto.

Reconhecer o mal, enaltecer o bem

Os desenhos geopolíticos e sociais dão hoje a entender que o mal está em vantagem, mas a aparência das coisas nunca revela o que vai de verdade no coração das pessoas. Temos, enquanto humanidade, a semente do mal dentro de nós, mas temos também o potencial para as atitudes luminosas. É uma decisão inteligente procurar olhar prioritariamente para o potencial luminoso que existe em nós e nos outros, pois aquilo em que focamos nossa atenção é aquilo que no fim das contas acaba crescendo e se fortalecendo.

Quero acreditar que o mal hoje tão claramente pronunciado nada mais é do que um convite explícito para que coloquemos à prova nossos melhores valores. Para que sejamos o exemplo vivo, através de atitudes corretas e inabaláveis, de que mesmo em meio à mais profunda escuridão, sempre é possível acender a luz da própria consciência. E se uma consciência lúcida age com compaixão e firmeza serena perante os males do mundo, ela começa por compreender e dominar aqueles males que habitam ela mesma.