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A autoestima é do Ser, a vaidade é do ter

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Tenho percebido em meu trabalho que um dos ingredientes mais importantes para se conseguir boas transformações pessoais é o fortalecimento da autoestima.

A autoestima é o resultado de uma harmonia entre os nossos valores íntimos, aqueles que adquirimos ao longo da nossa formação de caráter, e a nossa forma de ser. Assim, uma pessoa com boa autoestima é aquela que ajusta a sua vida, a sua forma de ser, àqueles valores que considera mais importantes. Ao realizar na vida ações que estão de acordo com os seus valores íntimos, a pessoa desenvolve um senso de bem estar, um contentamento interno que é fonte de grande força para enfrentar as adversidades.

A autoestima não deve ser confundida com a vaidade. A vaidade é uma satisfação superficial e efêmera que se consegue a partir da admiração dos outros. Carros, roupas, dinheiro, aparência física, títulos, símbolos de status e posses em geral podem despertar admiração alheia e alimentar em nós a vaidade, mas ela por si não é o suficiente para cultivarmos um bem estar íntimo e duradouro. A satisfação real consigo mesmo provém apenas de uma autoestima bem desenvolvida.

Assim, compreendemos o sentido da frase “O Ser é mais importante do que o ter”. O “ter” é relativo à vaidade e se refere a algo apenas momentaneamente prazeroso, sem sustentação própria. Já O Ser é o reino da autoestima, e não precisa de testemunhas externas para se consolidar.

A autoestima, fonte real de felicidade e resiliência, depende principalmente do nosso próprio testemunho a respeito de nós mesmos, de estarmos trilhando um caminho válido, correto e que faça sentido para nós.

E como acertadamente ponderou o psiquiatra Flávio Gikovate ao final do vídeo abaixo, a autoestima não é um ponto a se atingir para nele se estagnar. A sua manutenção exige uma permanente dedicação, um constante realizar das coisas que de fato valorizamos e em que verdadeiramente acreditamos.


Quando os velhos fantasmas do trauma ressurgem

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Por Denise Olesky
Publicado originalmente em Inglês no website GoodTherapy.org
Tradução por Samantha Sabel

Você explorou os seus traumas emocionais da infância, os seus gatilhos, e aprendeu a reformular os seus pensamentos negativos. Você entendeu como as suas experiências passadas afetam os seus comportamentos, pensamentos e sentimentos hoje. Você treina a atenção plena e se dedica continuamente ao autocuidado. Em outras palavras, você avançou bastante em sua jornada terapêutica para superar as dificuldades anteriores. Você nunca se sentiu melhor em relação a si mesmo, e está orgulhoso do conhecimento sobre si que ganhou.

E então seu novo namorado rompe com você e – BAM! – de repente você está tendo dificuldades de novo. Você se preocupa com o que você se parece. Sente que pode se atrapalhar com as palavras. Preocupa-se que alguém o perceberá tropeçando no próprio cadarço. Seus pensamentos viram um furacão. A confusão começa a se infiltrar.

Você trabalhou tão duro para superar os seus problemas de infância. Trabalhou arduamente para reformular os pensamentos negativos. Para aprender boas técnicas de respiração e implementá-las em situações difíceis. Mas agora você está cara a cara com uma pessoa que havia esquecido há muito tempo. Você se olha no espelho e a pessoa olhando para você diz: “Eu ainda não sou bom o suficiente”.

O que aconteceu?

Alterar as crenças sobre si mesmo e melhorar a autoestima é um trabalho difícil. Pode levar meses e até anos para descobrir e reformular as suas distorções cognitivas. Sim, você explorou a sua infância para aprender as origens dos seus pensamentos negativos. Sim, você aprendeu a identificar os gatilhos e como reformular seus pensamentos irracionais. Sim, sua jornada é um caminho novo e saudável e você se sente maravilhoso todos os dias. No entanto, você nunca fica livre de todos os eventos em sua vida que compõem sua história – e de vez em quando, nossa história pode nos fazer uma visita de um jeito que não antecipávamos. Podemos ser provocados.

Um funeral pode nos lembrar da passagem de tempos atrás de um ente querido. O cheiro da grama cortada pode nos lembrar dos dias de infância dos quais sentimos saudades. Uma música pode trazer memórias dolorosas de abuso ou trauma. Um relacionamento quebrado pode trazer sentimentos enterrados de abandono. Uma nova pessoa em nossas vidas pode inesperadamente nos deixar inseguros com relação a nós mesmos. De repente, podemos ficar chateados, ansiosos ou mesmo deprimidos quando a superfície dos eventos trazem lembranças antigas e crenças negativas. Podemos sentir que estamos voltando a velhos comportamentos, pensamentos e sentimentos que tínhamos conseguido processar e afastar anteriormente, o que pode nos deixar sentindo que de alguma forma nós nos perdemos no presente.

O que fazer quando você se sentir provocado

A cura é um processo similar ao das marés: tem fluxo e refluxo. Quando você se sente instigado, tire um tempo para entender o que lhe provocou e como você está reagindo à situação. O que você está sentindo? Como o seu corpo está reagindo? Você tem um “nó” no estômago? Você está entrando em pânico? Você já se sentiu assim antes? Se assim for, quando? Lembre-se sempre de que quando você se sentir provocado e os sentimentos e pensamentos antigos voltarem a surgir, esses momentos passarão.

Revise seu trabalho terapêutico anterior. Revise fantasmas antigos e explore como eles podem estar afetando você agora. Explore sentimentos anteriores e como sua situação atual pode estar levando você a se sentir da mesma maneira. Existem semelhanças? Explore os pensamentos negativos anteriores. Você se sente inferiorizado? Você se sente indigno de ser amado? O que na sua história causou esses pensamentos? Como a sua situação atual realça tais pensamentos novamente?

Reveja as suas habilidades de enfrentamento: reformulação de pensamentos negativos, respiração profunda, treinamento de atenção plena, exercício e outras formas de autocuidado. Não existimos sem o nosso eu anterior, não importando o quanto possamos querer deixá-lo para trás. Ele pode até nos visitar de tempos em tempos.

Quando seu eu anterior retornar, diga a ele: “Olá, amigo antigo. Eu sei quem você é. Eu sei como você se sente. Veja como eu posso te ajudar.” Aceitar-se, incluindo o passado e o presente e todas as suas falhas, é a chave para uma cura contínua. Abrace quem você é agora… e também quem você já foi uma vez.

Denise Olesky é terapeuta em Doylestown, Pensilvânia, E.U.A.