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Felicidade na integridade

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Se meu percurso na psicologia ajudou-me a compreender como os elementos sociais e culturais podem impactar o funcionamento da psique humana, a experiência em psicoterapia vem confirmando esse entendimento e me mostrando, na prática, como os valores e discursos sociais servem de agentes repressores do equilíbrio emocional e da saúde mental de pessoas que chegam até o consultório.

Penso como Krishnamurti que não é um parâmetro de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente. Muitas vezes é necessária alguma medida de rebeldia se quisermos realmente salvaguardar a nossa própria sanidade.

Mas a rebelião não é uma revolta externa e destrutiva, e sim a efetivação destemida das reformas íntimas que clareiam nossa capacidade de discernir ao que devemos ceder e o que devemos negar ou até mesmo transformar, independentemente do que nos é sugerido de fora.

A forma com que conduzo minha vida deve ressoar com a pessoa que desejo ser, e não com o que o outro espera que eu seja. Essa região psíquica de liberdade – que na espiritualidade chamamos de livre arbítrio, e na psicologia chamamos de subjetividade – é um bem precioso pelo qual precisamos ativamente zelar, já que é frequentemente posto em risco por cobranças e valores culturais distorcidos e limitadores.

Ao longo de nosso desenvolvimento as mensagens socialmente ensinadas vão lentamente e inadvertidamente conquistando o seu espaço e se enraizando profundamente em nossa subjetividade. Não se pode subestimar o peso da palavra ‘ensinar’, pois ela compreende não só discursos, mas ações muito concretas que marcam nossos corpos, mentes e emoções.

Um exemplo simples: se cresci sendo ensinada que como mulher o caminho mais ‘adequado’ para ser feliz é casar-se e ter filhos, é provável que como adulta essa mensagem adquira um peso significativo em minha psique. Se porventura, pela força do espírito ou pelo desenrolar das circunstâncias a vida me conduzir por caminhos diferentes, essa discrepância entre a minha verdade e a verdade que me foi ensinada me leva a pensar, em algum nível, que ‘tem alguma coisa errada comigo’.

É muito comum observar essa dinâmica de abafar a voz do próprio coração para subscrever a sistemas de valores e práticas, verdadeiros scripts de vida que foram ensinados desde fora, mesmo quando eles não fazem sentido para o indivíduo e geram grande sofrimento.

Embora para tudo haja a medida certa do equilíbrio, eu arriscaria dizer que psiquicamente, em nossa sociedade, padecemos do mal do medo de ousar. Falta-nos coragem para questionar e transformar; para não apenas imaginar as mudanças que nos alinham com aquilo que podemos ser de melhor, mas encarnar em nossas próprias vidas o exemplo de tudo aquilo que acreditamos ser bom, justo e belo.

Falta-nos coragem, sim, pois o preço de se encarnar a liberdade é altíssimo – a sensação de andar na contramão da maré cultural, o julgamento do ignorante, e a ocasional solidão.

É assim ao menos até que nos encontremos com nossos bons pares, aqueles que compartilham conosco, à sua maneira, este mesmo modo de pensar. E então esse encontro de corações alinhados com a própria verdade gera as maiores alegrias que um coração pode experimentar.

Quem arrisca viver a sua verdade paga feliz o preço socialmente cobrado. E encanta, desde o poderoso silêncio de sua integridade, outros corações, que despertam e se encorajam em buscar logo, de forma íntegra, a sua própria felicidade.


Pensamentos construtivos – II

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A vida de que precisamos é aquela que temos. Melhorar o que for possível, sem prejudicar a si nem a ninguém, é uma tarefa pessoal e intransferível.

É preciso aprender a amar tudo aquilo e todos aqueles que se apresentam em nosso caminho. A vida que temos é a ponte para a vida que almejamos ter.

Manter o coração aberto é aceitar os presentes da vida sem criar deles dependência, mas também sem contaminá-los com a poeira do próprio ego.

O mal-estar sinaliza a presença do desequilíbrio e a necessidade de mudanças internas.

A maestria perante as provas da vida é proporcional à capacidade de pedir orientações – e de aceitá-las quando são recebidas.

Nem todos estão preparados para compreender e viver no amor pleno e puro.

Entorpecidos por inverdades, poucos são os que desejam de fato a paz.

O limite do discernimento é o momento da entrega e da confiança.

Vida é eterna vibração, movimento e crescimento. As zonas de conforto são sempre temporárias.

A consciência está em permanente expansão rumo ao inefável e ao infinito.