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Os estágios da mudança

Samskara

À medida que vivemos, vamos fazendo escolhas que moldam nossas formas mais padronizadas de existir. Para algumas tradições espirituais como o hinduísmo e o budismo esse processo ultrapassa inclusive o escopo de uma vida só, gravando verdadeiros ‘sulcos psíquicos’ em nossa mente multireencarnatória. Carregamos então através das vidas os nossos sulcos psíquicos pessoais na forma de tendências espirituais, chamadas por essas tradições de samskaras.

No aspecto psicológico, essa moldagem acontece pela repetição dos processos comportamentais (alimentação, sedentarismo, jogo, consumo, pornografia, etc.), dos padrões de pensamento (negatividade, obsessão, hostilidade, etc.) e dos hábitos emocionais também (autoculpa, melancolia, ansiedade, etc.). Quanto mais for repetido, mais arraigado se torna um comportamento, um pensamento ou um padrão emocional. E quanto mais profundamente estiver gravado o sulco, maior será o desafio de conseguir modificá-lo.

Felizmente, por mais difícil que pareça, sempre somos capazes de mudar e melhorar. Pesquisando sobre boas descrições para os processos de mudança íntima – a superação de um hábito ruim, ou a aquisição de um hábito saudável – me deparei com um ótimo resumo do trabalho dos autores Prochaska e DiClemente, “Changing for good” (que pode-se traduzir como ‘Mudando de vez’).

Os ‘estágios da mudança’, conforme descritos por esses terapeutas, são utilizados mais tradicionalmente nos tratamentos para vícios em drogas, mas descrevem também os estágios pelos quais passam quaisquer mudanças de hábito. São eles:

1.Pré-contemplação

Nessa fase, a pessoa sabe teoricamente que suas escolhas geram prejuízos, mas estes não lhe parecem tão significativos quanto os benefícios que pensa obter. Trata-se de uma pessoa ainda não conscientizada. Ajudar alguém ou a si mesmo nessa fase envolve trabalhar a conscientização a respeito das consequências de suas más escolhas, para tentar trazê-la para o próximo estágio da mudança.

2. Contemplação

A pessoa até já reconhece o problema, mas se sente ambivalente quanto a se vale a pena ou não mudar. Ela até deseja mudar, mas não tem confiança de que seja possível, nem compromisso com a mudança. Caso ela continue a se educar a respeito da importância e dos benefícios de mudar o hábito em questão, ela poderá chegar a uma decisão mais sólida de realmente mudar.

3. Preparação

Nesta etapa a pessoa já se convenceu da importância de mudar o seu mau hábito e tomou a decisão de tentar. É um estágio em que ainda se sente insegura, mas há um desejo firme e está aberta a ter apoio e orientação na sua busca. É nessa etapa que normalmente as pessoas decidem buscar uma ajuda profissional ou externa (grupos, terapias, coaching, personal trainer, médicos, etc.). Encontrar as fontes de apoio apropriadas é crucial nesse estágio.

4.Ação

É uma fase em que a pessoa começou a se engajar com a mudança, tomando medidas ativas para reverter os seus maus hábitos. Ela pode estar fazendo isso com o auxílio de profissionais ou por conta própria, munindo-se de informações e adotando táticas pessoais para manter-se motivada. O processo de mudança já foi abraçado.

5. Manutenção

É quando a pessoa já dominou a habilidade de sustentar o novo hábito ou comportamento com esforço mínimo. Ainda é necessário ter atenção e dedicação, porém isso não é mais sentido como um sacrifício, e sim como algo que faz parte da vida habitual.

6. Término

Aqui uma nova auto imagem, consistente com o comportamento desejado, foi alcançada. Voltar ao antigo hábito ou ao antigo estilo de vida parece uma coisa impensável.

Recaídas

Em qualquer etapa do processo de mudança as recaídas podem acontecer. As recaídas são lapsos temporários, que não devem ser vistas como falhas que nos levam de volta à estaca zero, mas sim como oportunidades para aprendermos sobre os cenários desafiadores e as formas de dominá-los melhor.

Mudando para melhor

Há razões para sermos otimistas. Independentemente da força com que um hábito negativo tenha se instalado em nossa vida, sempre é possível atravessar todos os estágios da mudança e ir formando novos ‘sulcos’, mais saudáveis e positivos, que pela força da repetição ao longo do tempo se tornarão nosso novo padrão comportamental, emocional ou mental.

Perseverando nas boas escolhas todos os dias, podemos transformar nosso velho modo de existir em página virada no livro de nossa vida.