Nem tudo é amor e luz: por que não se pode ignorar as trevas e apenas ‘ser positivo’

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Por Christine Rodriguez
Publicado originalmente em Inglês no site Tiny Buddha. Traduzido para o Português por Samantha Sabel.

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“A noite escura da alma vem logo antes da revelação.” ~ Joseph Campbell
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Se você frequenta o Instagram ou qualquer outra plataforma de mídia social nos dias de hoje, pode notar inúmeras postagens sobre positividade, auto-ajuda, yoga e suco verde. E tudo sem glúten.

A maioria de nós equaciona essas mensagens com espiritualidade e boas vibrações. Eu não vou discordar. Essas mensagens promovem boas vibrações. Mas, o problema é que esses posts não contam a história toda, e quando terminamos de vê-los, muitos de nós ainda se sentem incompletos, temerosos e inseguros, porque todos esses ‘influenciadores’ e gurus parecem ter tudo resolvido.

Vou deixar você saber de um pequeno segredo: nenhum de nós tem tudo resolvido. Não podemos resumir a complexidade e fluidez de nossas vidas em um post ou uma pose de yoga. E por experiência, posso dizer-lhe que antes de chegar à parte do amor e da luz, há muito o que fazer. As postagens do Instagram são muitas vezes apenas o carretel de destaques de alguém.

É fácil ser atraído por gurus porque eles parecem ter todas as respostas e ser sempre positivos, não importa o que aconteça. Quando segui alguns professores espirituais conhecidos e autoproclamados, coloquei-os em um pedestal e ignorei meu próprio guru interno. Eu também constantemente me comparava a eles, porque eu não era feliz 24/7 como eles pareciam ser.

Felizmente, isso durou pouco. Embora eu honre e respeite a jornada de todos, agora percebo que tenho mais ressonância com uma vibração de autenticidade, e não uma que só permite que os outros vejam o positivo sem nunca discutir o lado sombrio da vida.

Eu sou inspirada pelos professores que compartilham suas lutas e as transmutam em nome do amor e da cura, não aqueles que afirmam ser sempre felizes e positivos, ou que afirmam ter todas as respostas.

A jornada espiritual é extremamente pessoal. Ela leva você a se conectar à sua verdadeira essência, para que você possa começar a fazer escolhas a partir do seu eu superior. O eu que é rico de amor, alegria e sabedoria. O eu que sabe qual caminho é melhor para você. O eu que quer que você aprenda o amor-próprio e a auto-satisfação, e experimente a alegria e supere os desafios com graça.

Você não pode capturar tudo isso no Instagram, eu prometo a você.

Nesta jornada, cada dia é uma nova descoberta e aventura, e sim, haverá dias em que você se sentirá completamente desconectado e perfeitamente humano. Então, não se estresse; você ainda está em uma jornada espiritual, mesmo que haja momentos em que pareça ‘negativo’ ou xingue práticas positivas como o yoga.

Você ainda é precioso.
Você ainda é amado.
Você ainda é incrivelmente digno.

A beleza da jornada espiritual é que, enquanto você descobre o amor infinito dentro de você e entra em contato com a sua própria beleza e singularidade, você também se apaixona pela sua humanidade. Você começa a aceitar que está destinado a sentir todas as emoções, ao mesmo tempo em que encontra maneiras de estar alinhado com o que sente ser bom para você.

Na minha experiência, o trabalho – o retorno à casa de si mesmo – começa simplesmente por reconhecer que algo está faltando e que você se sente desconectado, desligado ou incompleto. A partir daí, você precisa olhar para a escuridão ao invés de negá-la com ‘positividade’ (o que se conhece por escapismo espiritual).

A jornada envolverá encarar as suas crenças e aprender a liberar e remodelar aquelas que não lhe ajudam.

Ela irá lhe pedir para visitar partes da sua vida e mente das quais você sente vergonha, e as quais preferiria ignorar ou eliminar.

Ela pedirá a você para liberar velhas feridas e abandonar a mentalidade de vingança contra pessoas e circunstâncias que o feriram.

Ela irá requerer que você visite memórias doloridas e que conforte a criança interior em você que precisa ser nutrida.

Ela exigirá que seja honesto consigo mesmo a respeito do quão comprometido está a mudar.

Estas são apenas algumas das perguntas que eu tive que responder até agora:

Estou realmente disposta a perdoar e seguir em frente?
Estou disposta a ver uma mágoa passada como uma mensagem ou lição?
Estou disposta a cometer novos erros com o entendimento de que ninguém é perfeito?
Estou disposta a questionar as crenças que me mantêm presa e me sentindo esgotada?
Estou disposta a deixar ir relacionamentos que me drenam?
Estou disposta a mudar meu estilo de vida em nome da cura?
Estou disposta a confiar na vida, aceitar o que precisa ir e abraçar o que precisa ficar?

As respostas vieram com muitas lágrimas, e houve muitos dias em que eu não queria sair da cama porque tudo que eu podia fazer era reviver meus erros. Eu estava limpando minha alma e às vezes revivendo alguns momentos dolorosos.

Embarquei nesta jornada para me conectar novamente comigo, para me conectar com a minha essência divina e com a alegria que havia fugido de mim.

Esta conexão não apareceu magicamente. Eu tinha algumas lições de casa para fazer. Comecei a mudar lentamente a minha dieta, apesar de ainda lutar com isso, tive conversas desconfortáveis ​​quando precisei falar a minha verdade, e encontrei novas rotinas que me ajudaram a ficar conectada com o meu corpo, incluindo o qigong.

Encontrei maneiras pacíficas de ser criativa e me divertir, como pintar. Também apareci em todas as sessões de coaching com o coração aberto, com vontade de aprender coisas novas sobre mim, e uma vontade de liberar antigos padrões, hábitos e pensamentos que me mantinham presa.

Embora eu continue evoluindo a cada dia em que estou viva, sinto-me muito mais perto da minha verdade pessoal. E me sinto mais confortável expressando isso. Essa é a verdadeira jornada.

Muitas percepções vieram a mim quando diminuí o ritmo o suficiente para me conectar comigo mesma. Por exemplo, percebi que vivi toda a minha vida como extrovertida, quando na verdade minha essência profunda é quietude e introversão. Eu me recarrego nos espaços tranquilos e me nutro quando me desconecto um pouco.

Essa não foi uma revelação da noite para o dia, mas uma longa jornada com muitas camadas. Cheguei à minha verdade (apenas a ponta dela por enquanto) liberando emoções e crenças que eram simplesmente pesadas e enraizadas no medo e na dúvida.

Isso levou tempo.

Então, a verdade é que não importa quanto suco verde você beba ou quantas poses de yoga mantenham você em forma; se a liberação emocional não fizer parte da rotina, será um desafio manter uma mudança duradoura. A cura emocional é a parte mais difícil. É a parte a que resisti por um longo tempo até que fiquei confortável diante de meus defeitos, meus traumas passados ​​e meus condicionamentos.

A mudança só ocorreu quando desenvolvi uma genuína curiosidade sobre a minha vida e sobre como eu a vivo. Eu desejava conhecer meus traumas e tinha coragem suficiente para entender meus gatilhos.

Embora eu não tenha erradicado magicamente todos os meus medos, tenho uma nova perspectiva e mantenho uma rotina diária que me faz sentir amada e protegida, de modo que quando os desafios surgirem – e eles surgirão – eu terei uma base de amor-próprio e compaixão, sabendo que todos temos nossas batalhas.

Eu tento comer bem para equilibrar meu humor. Eu tento ficar criativa todos os dias. Todos os dias escolho uma ferramenta – mantras, minhas próprias preces personalizadas, banhos de sal, sentar e respirar, andar na natureza – para me ajudar com quaisquer desafios. Tento mexer meu corpo diariamente. Esses pequenos esforços me mantêm centrada.

É fácil recitar mantras positivos e acender o sinal da paz, mas a verdadeira transformação começa por dentro. Uma vez que se expõe a escuridão, o amor e a luz podem entrar. E quando a escuridão vier visitar novamente, a luz dentro de você lhe dará força para enfrentar qualquer desafio.

A luz em você sempre o guiará para casa. Continue caminhando, você está indo muito bem!