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9 passos para melhorar a autoestima

Marigold

1.

Perceber quando está tendo um diálogo negativo consigo mesmo(a).

2.

Silenciar a voz negativa sobre si. Substituí-la por pensamentos mais equilibrados e realistas
(ver tabela abaixo* para alguns exemplos).

3.

Ser mais positivo a respeito de si. Falar consigo como um amigo ao invés de como um inimigo.

4.

Evitar ficar perto de pessoas que o colocam para baixo. Procurar companhias positivas e agradáveis.

5.

Fazer uma lista dos seus atributos positivos, das suas conquistas, dos elogios que recebeu, dos bons pensamentos que tem sobre si mesmo. Olhar essa lista diariamente. Atualizar ela sempre que lembrar de algo positivo a respeito de si.

6.

Aceitar e perdoar as próprias imperfeições. Todos erramos, mas o fato de errarmos não nos impede de aprender e melhorar na próxima tentativa. A vida continua a nos dar oportunidades de melhorar!

7.

Participar de trabalhos de caridade em alguma causa que toque você. Você ajuda alguém que precisa e por sua vez experimenta a sensação de gratificação por ser útil. Todos ganham!

8.

Cuidar da saúde física, com bons hábitos de exercício, repouso, alimentação e apresentação pessoal.

9.

Incluir na sua vida hobbies que lhe façam bem física e mentalmente, que despertem prazer e paz, e que se encaixem com seu temperamento pessoal (ex: artesanato, pintura, música, leitura, sair com bons amigos, frequentar grupo com ideias afins e interesses comuns).

——

*Autoestima: padrões de pensamento

Baixa autoestima:
Pensamentos negativos sobre si
Autoestima saudável:
Pensamentos positivos e justos sobre si
   “Não sou capaz”    “Sei fazer algumas coisas bem”
   “Não posso ser feliz”    “Tenho o direito de ser feliz”
   “Mereço meu sofrimento”    “Mereço ser feliz”
   “Não me encaixo no padrão desejável”    “Eu me permito me guiar pela minha verdade, e não pelos valores dos outros”
   “Nada do que faço dá certo”    “Já superei alguns desafios e tive sucesso em algumas situações”
   “Tudo é difícil para mim”    “A vida me apresentou certos desafios. Sou capaz de aprender com eles, usá-los para amadurecer e fazer algo positivo”
   “Não sou bonito(a)”    “Quando estou bem comigo, minha beleza resplandece”
   “Os outros pensam mal de mim”    “Eu sou a pessoa mais capaz de fazer uma avaliação justa de mim. Só eu sei o que é estar na minha pele”

Simplicidade e Florais de Bach

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Imagem: Floresta de Larch (Larix decidua) – cedro típico das montanhas da Europa Central.

Artigo escrito por Abelardo José Quijada, BFRP, Espanha
Publicado originalmente em inglês. Tradução por Samantha Sabel

“Na aparente complexidade do universo existe um mecanismo silencioso e muitas vezes esquecido: a simplicidade. Nós a vemos nas crianças, na sua simplicidade e alegria. Sim, cada crença, quer seja ela consciente ou inconsciente, carrega implícita dentro de si uma forma de ver e perceber a vida que influencia a maneira como agimos. E nós tendemos a complicar as coisas com a crença de que uma maior complexidade traz melhores resultados.

Os florais por outro lado são um exemplo claro de simplicidade. Eles trabalham elevando as vibrações das pessoas que não estão em harmonia, trazendo-as de volta para um estado mais positivo, restaurando o seu equilíbrio e, com ele, a saúde.

É de conhecimento comum que podemos apenas oferecer aquilo que temos, e não podemos dar amor aos nossos companheiros de vida se não amarmos primeiro a nós mesmos. Podemos ver o quanto as flores têm para dar observando como elas são na natureza. Elas demonstram coragem – aquelas florzinhas que crescem nas beiras de autoestradas. Elas mostram determinação e decisão – sequer perguntando se o lugar onde estão crescendo é melhor ou pior, mas simplesmente experienciando-o. Elas mostram interesse pela vida – sempre florescendo, sorvendo os raios do sol todos os dias – e uma habilidade de viver em solidão – aquelas flores que aparecem em locais desérticos onde nada mais vive. Elas aceitam sem reclamar os efeitos em si do meio ambiente e da ação humana, e demonstram esperança e fé frente aos testes mais duros – perceba aquelas plantas que retornam de uma quase morte com apenas um pouco de água e luz. Elas são, num certo sentido, sensíveis ao sofrimento dos outros sem perder a própria individualidade – há um ditado espanhol que diz que ‘uma árvore não se recusa a dar sombra nem mesmo ao lenhador’- e como um fator que se aplica a todas as situações, elas são um exemplo de amor puro, da vibração mais alta que impregna tudo: uma flor não recusa o seu perfume nem mesmo aos pés que a esmagam.

Estas qualidades são as mesmas dos sete grupos em que o Dr. Bach, este grande conhecedor da vida, das flores e da simplicidade, agrupou o seu sistema de essências florais. Este sistema é um repertório completo de autoconhecimento, crescimento e saúde no qual nos percebemos como parte única do mundo que cria não apenas a nossa realidade mas aquela de tudo que existe. Podemos recuperar não apenas nossa saúde, mas o nosso senso de responsabilidade e poder, não nos sentindo mais precisando reclamar das pessoas, das doenças ou situações que nos fazem ou fizeram infelizes.

Se algum dia você se encontrar sentindo medo ou incerteza, uma falta de interesse pela vida, sentindo-se sozinho, vulnerável, desesperado ou preocupado, olhe ao seu redor. Você certamente encontrará uma flor ou uma árvore que irão lembrá-lo de quem você é e de qual é a sua real natureza.”


A autoestima é do Ser, a vaidade é do ter

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Tenho percebido em meu trabalho que um dos ingredientes mais importantes para se conseguir boas transformações pessoais é o fortalecimento da autoestima.

A autoestima é o resultado de uma harmonia entre os nossos valores íntimos, aqueles que adquirimos ao longo da nossa formação de caráter, e a nossa forma de ser. Assim, uma pessoa com boa autoestima é aquela que ajusta a sua vida, a sua forma de ser, àqueles valores que considera mais importantes. Ao realizar na vida ações que estão de acordo com os seus valores íntimos, a pessoa desenvolve um senso de bem estar, um contentamento interno que é fonte de grande força para enfrentar as adversidades.

A autoestima não deve ser confundida com a vaidade. A vaidade é uma satisfação superficial e efêmera que se consegue a partir da admiração dos outros. Carros, roupas, dinheiro, aparência física, títulos, símbolos de status e posses em geral podem despertar admiração alheia e alimentar em nós a vaidade, mas ela por si não é o suficiente para cultivarmos um bem estar íntimo e duradouro. A satisfação real consigo mesmo provém apenas de uma autoestima bem desenvolvida.

Assim, compreendemos o sentido da frase “O Ser é mais importante do que o ter”. O “ter” é relativo à vaidade e se refere a algo apenas momentaneamente prazeroso, sem sustentação própria. Já O Ser é o reino da autoestima, e não precisa de testemunhas externas para se consolidar.

A autoestima, fonte real de felicidade e resiliência, depende principalmente do nosso próprio testemunho a respeito de nós mesmos, de estarmos trilhando um caminho válido, correto e que faça sentido para nós.

E como acertadamente ponderou o psiquiatra Flávio Gikovate ao final do vídeo abaixo, a autoestima não é um ponto a se atingir para nele se estagnar. A sua manutenção exige uma permanente dedicação, um constante realizar das coisas que de fato valorizamos e em que verdadeiramente acreditamos.


Quando os velhos fantasmas do trauma ressurgem

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Por Denise Olesky
Publicado originalmente em Inglês no website GoodTherapy.org
Tradução por Samantha Sabel

Você explorou os seus traumas emocionais da infância, os seus gatilhos, e aprendeu a reformular os seus pensamentos negativos. Você entendeu como as suas experiências passadas afetam os seus comportamentos, pensamentos e sentimentos hoje. Você treina a atenção plena e se dedica continuamente ao autocuidado. Em outras palavras, você avançou bastante em sua jornada terapêutica para superar as dificuldades anteriores. Você nunca se sentiu melhor em relação a si mesmo, e está orgulhoso do conhecimento sobre si que ganhou.

E então seu novo namorado rompe com você e – BAM! – de repente você está tendo dificuldades de novo. Você se preocupa com o que você se parece. Sente que pode se atrapalhar com as palavras. Preocupa-se que alguém o perceberá tropeçando no próprio cadarço. Seus pensamentos viram um furacão. A confusão começa a se infiltrar.

Você trabalhou tão duro para superar os seus problemas de infância. Trabalhou arduamente para reformular os pensamentos negativos. Para aprender boas técnicas de respiração e implementá-las em situações difíceis. Mas agora você está cara a cara com uma pessoa que havia esquecido há muito tempo. Você se olha no espelho e a pessoa olhando para você diz: “Eu ainda não sou bom o suficiente”.

O que aconteceu?

Alterar as crenças sobre si mesmo e melhorar a autoestima é um trabalho difícil. Pode levar meses e até anos para descobrir e reformular as suas distorções cognitivas. Sim, você explorou a sua infância para aprender as origens dos seus pensamentos negativos. Sim, você aprendeu a identificar os gatilhos e como reformular seus pensamentos irracionais. Sim, sua jornada é um caminho novo e saudável e você se sente maravilhoso todos os dias. No entanto, você nunca fica livre de todos os eventos em sua vida que compõem sua história – e de vez em quando, nossa história pode nos fazer uma visita de um jeito que não antecipávamos. Podemos ser provocados.

Um funeral pode nos lembrar da passagem de tempos atrás de um ente querido. O cheiro da grama cortada pode nos lembrar dos dias de infância dos quais sentimos saudades. Uma música pode trazer memórias dolorosas de abuso ou trauma. Um relacionamento quebrado pode trazer sentimentos enterrados de abandono. Uma nova pessoa em nossas vidas pode inesperadamente nos deixar inseguros com relação a nós mesmos. De repente, podemos ficar chateados, ansiosos ou mesmo deprimidos quando a superfície dos eventos trazem lembranças antigas e crenças negativas. Podemos sentir que estamos voltando a velhos comportamentos, pensamentos e sentimentos que tínhamos conseguido processar e afastar anteriormente, o que pode nos deixar sentindo que de alguma forma nós nos perdemos no presente.

O que fazer quando você se sentir provocado

A cura é um processo similar ao das marés: tem fluxo e refluxo. Quando você se sente instigado, tire um tempo para entender o que lhe provocou e como você está reagindo à situação. O que você está sentindo? Como o seu corpo está reagindo? Você tem um “nó” no estômago? Você está entrando em pânico? Você já se sentiu assim antes? Se assim for, quando? Lembre-se sempre de que quando você se sentir provocado e os sentimentos e pensamentos antigos voltarem a surgir, esses momentos passarão.

Revise seu trabalho terapêutico anterior. Revise fantasmas antigos e explore como eles podem estar afetando você agora. Explore sentimentos anteriores e como sua situação atual pode estar levando você a se sentir da mesma maneira. Existem semelhanças? Explore os pensamentos negativos anteriores. Você se sente inferiorizado? Você se sente indigno de ser amado? O que na sua história causou esses pensamentos? Como a sua situação atual realça tais pensamentos novamente?

Reveja as suas habilidades de enfrentamento: reformulação de pensamentos negativos, respiração profunda, treinamento de atenção plena, exercício e outras formas de autocuidado. Não existimos sem o nosso eu anterior, não importando o quanto possamos querer deixá-lo para trás. Ele pode até nos visitar de tempos em tempos.

Quando seu eu anterior retornar, diga a ele: “Olá, amigo antigo. Eu sei quem você é. Eu sei como você se sente. Veja como eu posso te ajudar.” Aceitar-se, incluindo o passado e o presente e todas as suas falhas, é a chave para uma cura contínua. Abrace quem você é agora… e também quem você já foi uma vez.

Denise Olesky é terapeuta em Doylestown, Pensilvânia, E.U.A.


O valor dos relacionamentos reais

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É em nosso íntimo que nos revelamos. Por isso, a forma com que tratamos aqueles que convivem conosco diariamente é a marca real do nosso caráter. É mais fácil ser alguém legal nas relações sociais constritas e esporádicas do que na espontaneidade e na intimidade do dia a dia.

O outro como espelho

Nossa espontaneidade é cheia de defeitos que por orgulho e vaidade nos recusamos a reconhecer.

À exceção dos casos de relações abusivas, em que as percepções são propositalmente distorcidas com a finalidade de exercer poder sobre alguém, aqueles que convivem diariamente conosco são os que estão melhor posicionados para emitir uma avaliação justa do tipo de pessoa que somos.

Incluídos nessa avaliação estão os nossos pontos fortes e também as áreas onde estamos falhando.

É verdade que nem sempre as queixas a nosso respeito conseguem ser comunicadas com tato e assertividade. Ainda assim, vale a pena lutar contra a defensividade quase automática que surge nessas horas e escutá-las com atenção, meditando acerca da verdade que podem conter.

Para além da dor que infligem ao nosso ego, a aspereza das diferenças e os toques críticos que recebemos dos nossos próximos e amados costumam ser um valioso mapa para identificar as coisas que precisamos melhorar em nós mesmos.

A riqueza de se relacionar

Para sobreviver com saúde, um relacionamento íntimo precisa ser alicerçado pelo hábito do autoconhecimento e pela prática da compaixão.

É sinal de maturidade valorizar as relações íntimas reais e não temer entregar-se a elas. Até porque é justamente através da conexão verdadeira com alguém que podemos experimentar algumas das maiores alegrias de ser humano: a amizade profunda, a compreensão recíproca, o amparo nos momentos difíceis e o enriquecimento dos potenciais mútuos.


Dr. Edward Bach, um médico da alma

Mount Vernon

Imagem: Mount Vernon, sede do Bach Centre (Oxfordshire, Inglaterra)

Dr. Edward Bach (1886-1936) foi um médico, bacteriologista, pesquisador homeopata e escritor Inglês que iniciou sua carreira exercendo a medicina tradicional, atendendo pacientes em consultório e pesquisando vacinas.

No ano de 1917, numa ocasião em que atendia soldados feridos retornados da França, Dr. Bach teve um colapso e, após passar por delicada cirurgia, foi diagnosticado com grave câncer abdominal e informado de que não viveria mais do que três meses. Impelido por um senso de urgência, retomou suas pesquisas laboratoriais assim que deixou o hospital, desejando aproveitar o pouco tempo de vida para continuar a fazer descobertas úteis.

Percebeu, ao final dos três meses, que sentia-se mais plenamente saudável e disposto do que nunca, e atribuiu a improvável melhora ao senso de propósito que obtinha com o seu trabalho. Teria ainda pela frente muitos anos de uma vida produtiva e dedicada às artes da cura.

A busca por uma medicina holística

Apesar do sucesso com a pesquisa de vacinas, Dr. Bach estava insatisfeito com a visão parcial e fragmentada da medicina tradicional, que se concentrava apenas na doença e deixava de olhar a pessoa como um todo. Talvez já aspirando a uma medicina mais holística aceitou em 1919 um convite para trabalhar no Royal London Homoeopathic Hospital, onde desenvolveu uma série de sete nosodos homeopáticos que lhe renderam amplo reconhecimento dos pares.

Com o passar dos anos, Dr. Bach continuava a ver as limitações de se manter um foco em sintomas físicos, doenças e bactérias. Estava convencido de que era possível encontrar na natureza – especialmente nas flores, as partes mais desenvolvidas de uma planta – remédios mais puros e gentis que atuassem de forma holística na saúde humana.

Em 1930, entusiasmado com descobertas de pesquisas e com constatações da prática clínica, decidiu abandonar seu lucrativo consultório no centro de Londres e mudar-se para o interior, para se dedicar integralmente ao desenvolvimento deste novo sistema de cura denominado Florais de Bach. Ao mesmo tempo em que abandonava a prática tradicional da medicina, deixava para trás também o método científico reducionista e laboratorial, passando a confiar cada vez mais em sua própria intuição e dom natural de curador.

A descoberta do “Rescue Remedy”

No inverno de 1933, época em que vivia em uma casa próxima ao mar na cidade costeira de Cromer, na Inglaterra, o Dr. Bach presenciou um grave acidente marítimo em que uma das vítimas resgatadas se encontrava à beira da morte por afogamento e congelamento.

Assim que testemunhou a situação, Dr. Bach adentrou sua residência, que era vizinha ao local, e rapidamente misturou um preparado com cinco de suas essências florais em desenvolvimento. Contam as testemunhas que tão logo recebeu o preparado floral, antes mesmo de ser envolvido por cobertores quentes, o homem naufragado recobrou a consciência, sentando-se e pedindo um cigarro.

Naufrágio e flores do Rescue Remedy

As essências deste preparado histórico – Star of Bethlehem, Clematis, Cherry Plum, Impatiens e Rock Rose – viriam a compor aquela que continua sendo a mais famosa e utilizada fórmula floral no mundo todo, indicada para situações de crise, conhecida por seus nomes comerciais como Rescue Remedy® e 5Flower®, entre outros.

O sistema dos Florais de Bach

Após anos testando diferentes plantas, preparando remédios a partir das mesmas e observando os efeitos em pacientes e em si, descobriu 38 delas que atuavam de forma eficaz para equilibrar emoções e estados mentais negativos específicos. Estes 38 remédios florais compõem o sistema final proposto pelo Dr. Bach, anunciado no ano de 1934 e consolidado na obra Os Doze Curadores e Outros Remédios.

Dois anos após o anúncio do sistema completo, Dr. Bach desencarnou durante o sono aos 50 anos de idade, tendo sobrevivido por quase 20 anos após o prognóstico que recebera em 1917. Além de ter sido um exemplo de transformação pessoal através da espiritualidade natural, Dr. Bach deixou como legado para a humanidade um sistema de cura pela natureza amplamente usado e reconhecido ao redor do mundo.

O sistema dos florais de Bach preza pelos princípios da naturalidade, da simplicidade, do autocuidado, da visão integral do ser humano e da abertura da informação, para que cada pessoa possa, de fato, aprender a curar a si mesma.

Fontes:
The Medical Discoveries of Edward Bach Physician (Nora Weeks. Vermilion: London, 2004)
Website do The Bach Centre (www.bachcentre.org)
Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Bach)
Artigos do site Creature Comforters (http://www.creaturecomforters.org/articles–dr-bach.html)
Material didático da formação oficial de practitioners do Bach Centre.


Sobre o cuidar

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Cuidado. Interesse, amparo, zelo, desvelo.

Atividade explícita e implícita que se compõe de várias pequenas e grandes intenções, atitudes e gestos. Embora às vezes imperceptível ao olhar externo, sua presença ou ausência é sempre agudamente sentida pelos envolvidos na relação de cuidado. Vibração feminina e maternal, pode ser exercida por homens e mulheres, sejam eles pais-mães biológicos ou não.

Quem ama cuida do que é amado. Familiares, cônjuges e amigos cuidam uns dos outros. Cuidamos de nós mesmos. Cuidamos de tudo aquilo que nos é caro, desde objetos até pessoas e ideais.

O cuidado preserva e promove a vida. É sentimento nobre, e em tempos de individualismo exacerbado, precisa ser cultivado nas esferas pessoais e coletivas. Vale cuidar de muitas coisas – pertences, plantas, animais, meio ambiente, relacionamentos, grupos, projetos. Cada relação de cuidado é uma oportunidade de exercer a entrega do que se tem de melhor a um outro; uma oportunidade de doar amor.

Cuidar na medida certa

Em condições normais de ‘temperatura e pressão’, o cuidado precisa ser equilibrado com o incentivo à independência, pois os subprodutos do seu excesso são o sufocamento, o apego e a dependência doentia.

Assim, um filho amado não pode ser excessivamente cuidado, sob o risco de ter a sua capacidade de desenvolver a autonomia severamente prejudicada. Pessoas que se amam precisam constantemente equilibrar a manifestação do cuidado com o respeito às individualidades. Pacientes precisam de acolhimento, mas desejam seguir a vida sem necessidade da terapia. Grupos sociais vulneráveis precisam de assistência, mas têm sua liberdade maculada com o paternalismo. Projetos precisam de dedicação perseverante para se materializarem, mas é necessário saber improvisar e seguir em frente quando os planos não dão certo.

Já quando há condição de maior vulnerabilidade, o cuidado precisa ser redobrado. Um objeto desgastado, um corpo doente, uma alma ferida, um relacionamento fragilizado ou um ideal ameaçado por circunstâncias desfavoráveis se beneficiam de um cuidado mais intenso. Precisam de uma dose extra de atenção e de energia amorosa para conseguirem se restabelecer.

Amor que se multiplica

A experiência de ser preenchido pelo amor e pelo cuidado estabiliza o ser, abrindo espaço para que ele desenvolva maior sensibilidade às fragilidades alheias. Uma vez cuidados, nos sentimos relativamente inteiros, quando não transbordantes, e passamos a ter a necessidade de cuidar também, para retribuir e propagar o bem que nos foi feito. O ímpeto do cuidador só se apazigua com a emancipação alheia, quando o cuidado que antes era demandado pode até continuar sendo bem-vindo, mas deixou de ser necessário.

Por isto, os que se sentem bem amados querem cuidar, e até mesmo se frustram por não poderem se fazer presentes em todas as situações que requerem e merecem o cuidado que agora também têm para dar. As restrições para a partilha do amor trazem, porém, o importante aprendizado da compreensão dos limites existentes para atuação de cada um no mundo. Não se pode cuidar de todos que precisam, o tempo todo, em todo lugar.

A onipotência é reservada a um Poder Maior. A nós, humanos, parciais e falíveis, cabe a tarefa de de estabelecer as prioridades corretas, repousando nosso amor nos lugares e situações em que ele conseguirá fazer uma maior diferença. Entregar todo o resto, o que não se alcança, nas mãos deste Poder que nos transcende, é demonstração de maturidade e exercício de fé.


Trabalhando a ansiedade

Pedras Zen

A ansiedade é considerada a desordem emocional mais comum hoje no mundo. Figurando no topo das estatísticas atuais ao lado da depressão, os quadros ansiosos afetam cerca de 7% da população mundial – mais de 500 milhões de pessoas -, em todos os continentes.

Sintomas comuns de ansiedade incluem dificuldade para dormir, tensão muscular, suor frio, falta de ar, palpitações, agitação, tremor, boca seca, náusea, tontura, pensamentos ruminantes e preocupações excessivas. Quando escalada a níveis mais intensos, a ansiedade pode se transformar em fobias e pânico.

O que é a ansiedade, afinal?

A ansiedade pode ser descrita como uma experiência autocriada de medo com foco em algum evento futuro imaginado ou antecipado pela mente. Ela pode ter relação com vivências traumáticas passadas, mas em todo caso, o estado ansioso sempre começa na mente.

Em doses saudáveis, a ansiedade excita o organismo para capacitá-lo a enfrentar situações desafiadoras comuns da vida. Ela pode aumentar em um período próximo a uma prova ou perto do dia em que um importante projeto será executado, por exemplo, levando a pessoa a antecipar as possíveis soluções. Mas a ansiedade passa a ser um problema quando começa a sair do controle de quem a sente, gerando diversos efeitos paralisantes que debilitam a própria habilidade de contornar os desafios.

Quando entramos em um estado negativo de ansiedade, vemo-nos desconectados da experiência presente. Ficamos mentalmente presos a um futuro ruim imaginado. Como nosso corpo reage bioquimicamente aos medos imaginados da mesma forma que às ameaças concretas e imediatas, a prisão mental da ansiedade nos faz vivenciar de forma real, no aqui e agora, o medo daquilo que antecipamos.

Prisão mental individual e coletiva

Nosso modo de vida moderno contribui largamente para que a ansiedade seja hoje tão comum. Enquanto nos meios urbanos vivemos uma cacofonia de estímulos sensoriais acelerados e caóticos, existe na sociedade uma narrativa da conquista do sucesso, do excesso de trabalho, da pressa e do acúmulo de bens, títulos e prestígio. Todas essas exigências psicológicas pesam sobre o psiquismo coletivo, e é necessário um esforço consciente para percebê-las e frear a sua atuação dentro de si.

Além disso, num mundo que valoriza excessivamente a razão, é importante perceber que somos muito mais do que o intelecto. Somos um ser integral composto de corpo, emoções, pensamentos, energia e consciência.

O poder da ansiedade está na esfera dos pensamentos que antecipam um mal futuro. Por isso, as estratégias mais eficazes para controlá-la são aquelas que retiram o foco da mente analítica e abrem espaço para a apreciação do corpo, das sensações, das emoções e do aqui e agora.

Estratégias saudáveis para combater a ansiedade

Exercícios físicos, técnicas de relaxamento com músicas adequadas, visualizações criativas, respirações profundas e aumento da consciência corporal e energética aparecem frequentemente entre as dicas de combate à ansiedade. Abaixo podemos resumir algumas delas:

Desacelere. Realize pausas periódicas e preventivas ao longo do dia para desacelerar os pensamentos e concentrar-se no aqui e agora. Inclua nisso perceber todos os detalhes, cores, sons, cheiros, do ambiente em que se encontra.

Respiração. Realize algumas respirações profundas, exercitando a consciência da existência do seu corpo aqui e agora, para além dos pensamentos.

Música. Escute sempre que possível músicas tranquilizadoras, que induzem estados mais serenos e relaxados.

Visualização. De olhos fechados, faça a visualização de lugares que considera tranquilos, evocando todas as sensações agradáveis associadas que puder. Para quem gosta de florestas, por exemplo, pode imaginar o barulho do balançar das folhas pelo vento, o frescor do ar rarefeito no próprio rosto, a incidência dos raios de sol por entre a folhagem, o barulho de um animal andando nas folhas secas, os variados tons da vegetação, o canto dos pássaros, etc. Quanto mais sensações agradáveis conseguir evocar, melhor.

Terapias. Realize tratamentos com terapias complementares, energéticas e espirituais como Acupuntura, Massoterapia, Ayurveda, Florais de Bach e outros.

Exercício físico. Inclua em sua rotina semanal atividades físicas em geral adequadas à sua condição. São benéficas tanto as atividades que simplesmente colocam o corpo em movimento (caminhada, corrida, bicicleta, natação, etc.) quanto aquelas que agregam ao exercício corporal valores de consciência e de controle mental e emocional mais sutil (artes marciais, Yoga, etc.).

Alimentação. Tenha uma alimentação adequada, evitando o excesso de substâncias como cafeína e álcool. O tabaco, apesar de provocar alívio temporário, não resolve as causas da ansiedade e ainda prejudica muito a saúde geral do organismo.

Descanso. Estabeleça uma rotina para o corpo que inclua exercício físico, sono e repouso suficientes.

Natureza. Exponha-se sempre que possível aos elementos puros da natureza (luz solar, água corrente, ar puro, florestas, terra). Se isso não estiver ao seu alcance, demore-se na apreciação das coisas pequenas como um vaso de flor, as nuvens correndo no céu, os raios de sol entrando pela janela.

Vida. Medite sobre a vida que pulsa ritmicamente na natureza, inclusive no seu próprio corpo físico.

Autoconhecimento. Exercite o autoconhecimento através de terapias, auto ajuda, espiritualidade. Aceite suas emoções negativas. Além da psicoterapia, técnicas como manter um registro de pensamentos e emoções podem ajudar você a se conhecer e se entender melhor.

Pessoas. Mantenha relacionamentos positivos em sua vida e apoie-se nas pessoas de confiança para atravessar os momentos difíceis.

Alegria. Inclua no seu dia a dia as atividades que lhe dão prazer e alegria, o máximo que puder, sempre.


A questão do Bem e do Mal

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Vivemos numa época em que a sociedade parece se interessar avidamente por assuntos espirituais. Podemos observar a proliferação de pessoas, grupos, centros, livros e músicas falando de espiritualidade e de valores transcendentes. Vemos a espiritualidade penetrar até mesmo espaços tradicionalmente laicos, por exemplo os meios empresariais que são hoje afeitos às práticas meditativas para reduzir o estresse do modo de vida contemporâneo. A abertura da informação e o interesse crescente por assuntos espiritualistas antes ocultos são indícios de um tempo de maiores possibilidades de amadurecimento espiritual.

Ao mesmo tempo, vivemos uma época em que o mal se pronuncia nos acontecimentos sociais e humanos de forma bastante clara e contundente. Muitos hesitam em reconhecer essa presença aumentada do mal no mundo, talvez por medo de estimular a formação de uma prisão coletiva de negatividade. Mas o fato é que, além de observarmos previsões espiritualistas tensas sobre mecanismos sombrios em vias de serem desencadeados na Terra, até mesmo a comunidade cientítica adiantou recentemente os ponteiros do relógio do hecatombe.

Uma dualidade natural

A maior abertura e possibilidade coletiva de contato com a luz espiritual convive, então, com a existência de um terreno fértil para a proliferação das forças do mal. “Mal” este que, diga-se de passagem, é um organismo que só existe a partir das células que são os pequenos males que habitam de forma latente ou manifesta a consciência de cada um de nós. Não há grande mal que não se inicie ou se fortaleça nas atitudes individuais.

Mas existe uma lógica nessa aparente contradição. Quando o bem começa a se apresentar, o mal não faz por menos, pois a função do mal é manter o bem vivo, e até fortalecê-lo. A presença do mal torna o bem mais inventivo e criativo e testa os seus limites – ou melhor, os limites da nossa resolução de praticá-lo.

É fácil ser espiritualizado, tranquilo e iluminado quando se está isolado ou entre iguais num retiro idílico, longe dos problemas do dia a dia. É bem mais difícil manter a compostura espiritual em meio ao caos de imagens, sons, emoções e pensamentos densos da vida cotidiana e dos acontecimentos nefastos que nos circundam ou mesmo nos afetam.

É útil procurar fazer as pazes com o fato de que o plano físico é o reino das dualidades, e que assim por muito tempo será. Enquanto o plano do espírito é o plano da integralidade, da inteireza e da perfeição ainda distantes de nosso nível evolutivo, a matéria se manifesta de forma polar e contraditória. Luz e sombra, integração e desintegração, hostilidade e fraternidade… O planeta produz toda sorte de experiências, dependendo de quais forças acabam prevalecendo na dinâmica de um determinado contexto.

Reconhecer o mal, enaltecer o bem

Os desenhos geopolíticos e sociais dão hoje a entender que o mal está em vantagem, mas a aparência das coisas nunca revela o que vai de verdade no coração das pessoas. Temos, enquanto humanidade, a semente do mal dentro de nós, mas temos também o potencial para as atitudes luminosas. É uma decisão inteligente procurar olhar prioritariamente para o potencial luminoso que existe em nós e nos outros, pois aquilo em que focamos nossa atenção é aquilo que no fim das contas acaba crescendo e se fortalecendo.

Quero acreditar que o mal hoje tão claramente pronunciado nada mais é do que um convite explícito para que coloquemos à prova nossos melhores valores. Para que sejamos o exemplo vivo, através de atitudes corretas e inabaláveis, de que mesmo em meio à mais profunda escuridão, sempre é possível acender a luz da própria consciência. E se uma consciência lúcida age com compaixão e firmeza serena perante os males do mundo, ela começa por compreender e dominar aqueles males que habitam ela mesma.


Dica de floral para terapeutas: Walnut

Meditando na natureza

Escrevo essas linhas pensando em todos os meus amigos e colegas terapeutas, conhecidos e desconhecidos, que bem sabem da importância de cuidarmos de nós mesmos para podermos estar bem para uma outra pessoa.

Falo por experiência própria que uma das mais perigosas “estradas para a ruína” de um terapeuta é acreditar que pode auxiliar alguém apenas a partir de técnicas aprendidas pelo intelecto, sem haver vivificado em si a experiência de equilibrar os sentimentos nas áreas mais importantes da própria vida.

Uma existência bem balanceada, em que nos sentimos centrados para lidar com os desafios que a vida não pára de nos apresentar, é uma conquista diária. Ela requer nossa atenção constante para o que se passa dentro de nós nos diferentes contextos, além de uma destreza na administração das próprias atitudes, sentimentos e pensamentos em todas as nossas relações.

Nesse último aspecto, não nos faltam conhecimentos de técnicas para lidar com as negatividades humanas. Estamos sempre prontos para compartilhar esses conhecimentos de boa vontade com aqueles que nos procuram nos seus momentos de fragilidade. Mas estaremos, pergunto, igualmente dispostos a aplicar o que sabemos em nós mesmos?

A arte do autocuidado

Uma das coisas mais legais que aprendi com a filosofia dos Florais de Bach foi o preceito do curador, “cura-te a ti mesmo” (expressão que, aliás, dá título a uma das principais obras deixadas pelo sagaz Dr. Edward Bach nos anos 1930).

A palavra “cura” é forte, e pode causar hesitação no sentido de que em uma vida ninguém é realmente capaz de eliminar todas as fontes de negatividade de dentro de si. Mas ao mesmo tempo é uma palavra linda, porque expressa o esforço de auto aperfeiçoamento que está ao alcance de todos e que pode resultar numa evolução pessoal bastante tangível.

Considerando os aspectos energéticos sutis que fluem em uma relação terapêutica, alcançar uma certa estabilidade energética pessoal é um requisito fundamental para ser um bom terapeuta. Antes de nos abrirmos como elos energéticos de cura para um outro, portanto, precisamos saber cuidar bem de nós mesmos.

É da natureza de nossa atividade a exposição exacerbada a mudanças bruscas de campo energético, pois cada caso que atendemos é um universo consciencial particular. Nosso dia a dia de trabalho pode ser uma verdadeira montanha russa energética! Por isso, é importante que consigamos estabelecer e desligar os elos que criamos com os pacientes nos momentos certos e na medida certa.

Saber equilibrar o trabalho com os momentos de descanso, lazer, família e amizade é uma arte, e muitas vezes, por força do envolvimento com a atividade terapêutica, pode ser bastante difícil conseguir fazer isso.

O autocuidado tem sempre tons bastante particulares ao temperamento individual, e por isso é importante que cada um identifique quais são as ideias, atividades, locais e pessoas que ajudam na manutenção do equilíbrio e centramento pessoal.

O Floral Walnut: proteção e constância

De todo modo, eu gostaria de compartilhar uma dica preciosa para terapeutas que aprendi na formação com os Florais de Bach. Trata-se da utilização de uma essência floral produzida a partir das flores da árvore Juglans regia, conhecida como nogueira-comum, que cresce abundantemente da Europa aos Himalaias. O seu fruto é a famosa noz com aparência de um pequeno cérebro protegido por um envoltório sólido:

meditação na natureza

O Floral Walnut é apelidado nos bastidores de “floral dos terapeutas”, dada a sua capacidade de ajudar a manter o equilíbrio pessoal mesmo em contextos de rápidas e significativas mudanças de campo energético, tais como as que acontecem nos trabalhos terapêuticos. Ele pode ser tomado da forma tradicional, em gotas, ou mesmo diluído em borrifador e espalhado em ambientes que precisem reforçar a estabilidade energética.

O Dr. Bach escreveu a respeito desta essência que ela “proporciona constância e proteção contra influências externas”. Podemos associar a própria imagem da noz dentro da casca como o núcleo precioso, a essência pessoal que fica bem protegida dentro de um envoltório forte.

Há anos tenho Walnut como uma de minhas essências favoritas, tão benéficos que foram os efeitos de constância que pude observar em mim e em outras pessoas que precisavam se resguardar em contextos de mudanças significativas em suas vidas.

Há diversas indicações para o uso de Walnut, mas ele é especialmente valioso como uma ferramenta energética de autocuidado para os terapeutas.