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Atravessando um rompimento amoroso

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O tema dos relacionamentos amorosos é, seguramente, um dos mais tematizados nos consultórios de psicoterapia.

Quando em meu trabalho recebo alguém que vive dificuldades nessa área e que expressa um desejo de melhorar o seu relacionamento, após um tempo de análise procuro sempre compartilhar informações construtivas e boas práticas para resgatar a saúde do relacionamento.

Muitas vezes, quando um dos parceiros decide colocar em prática este tipo de orientação, ele consegue provocar repercussões positivas no relacionamento. Outras vezes, porém, os limites para o resgate da relação vão além da vontade da pessoa que procura ajuda, por agravamentos e circunstâncias diversas, entre elas o desengajamento do parceiro. O resultado muitas vezes é a realidade de ter de atravessar, à revelia da própria vontade, a dor de um rompimento amoroso.

Esta costuma ser uma experiência emocionalmente difícil, tanto mais quanto mais aprofundado tiver sido o relacionamento que se rompeu. Para ajudar as pessoas que se encontram nesta situação, organizei o texto abaixo, que traz algumas sugestões de como passar de forma mais segura por uma experiência deste tipo.

O texto foi compilado, adaptado e traduzido por mim, baseado nos artigos 5 Remedies to Heal the Heartbreak of Divorce e e How Long Does Typical Divorce Recovery Take?

Peça e aceite ajuda. Converse sobre a sua dor com as pessoas de sua confiança. Deixe que saibam quando você não estiver se sentindo bem.

Reflita serenamente sobre as expectativas que havia criado. É natural entrarmos em um relacionamento esperando o melhor, porém a mensagem subliminar do “felizes para sempre” é promovida em nossa cultura de forma leviana, sem levar em conta as complicações inerentes ao ato de se relacionar, e os esforços necessários por parte de ambos os parceiros para contorná-las. Se um relacionamento não deu certo, é porque um ou ambos não puderam, ao menos não neste momento, contornar os desafios que são inerentes ao convívio íntimo com alguém.

Observe e aceite as emoções que está sentindo. É comum numa experiência de separação experimentar estados de tristeza, desespero, raiva, sentimento de injustiça, mágoa, misturados com momentos de alegria, tranquilidade e até alívio (especialmente se o relacionamento tinha uma dinâmica disfuncional). Todos esses sentimentos são parte da nossa humanidade. Compreender isto é importante, assim como também é importante reconhecer que somos algo além destas oscilações. As emoções destrutivas são como nuvens passageiras; não devemos nos identificar com elas e nem agir a partir delas.

Encontre o seu centro. Esta é uma medida muito importante, que sempre procuro reforçar junto às pessoas que atendo. Quando as coisas ao nosso redor movem-se e mudam muito bruscamente, como o que acontece nos rompimentos amorosos, é hora de se reconectar com dedicação a tudo aquilo que nos traz paz, centramento, e respostas. Para alguns, este centro é encontrado na espiritualidade; para outros, em atividades meditativas e de atenção plena, como exercício físico, hobbies, artes. O seu centro é aquilo em que você pode se apoiar quando tudo o mais parece ruir.

Reconecte-se com seus sonhos. Embora você possa sentir que suas esperanças e sonhos foram embora com o término do relacionamento, você ainda possui a imaginação e a capacidade de criar novos sonhos. Você pode até sentir que o futuro que imaginava tenha sido roubado de si, mas você ainda pode começar a imaginar uma nova vida que valha a pena construir.

Mantenha-se inspirado. O desespero é o outro lado da esperança, então se perdermos a esperança, as coisas podem se tornar escuras. É essencial que você se mantenha inspirado e funcionando. Você pode buscar inspiração em pessoas que admira, frases, blogs, livros, palestras, até mesmo nos seus filhos se os tiver. Você ficará tentado a desistir, mas precisa se esforçar em dar um passo adiante a cada dia.

Aceite a sua nova realidade e siga em frente quando sentir que isso for apropriado. Isto não significa que será fácil ou prazeroso num primeiro momento. Tenha fé e confiança de que as coisas darão certo.


As necessidades humanas

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Na psicologia, Abraham Maslow tornou-se conhecido por elaborar uma caracterização gráfica das necessidades humanas em formato de pirâmide.

No desenho por ele proposto são elencadas as diferentes áreas a que todos devemos estar atentos ao longo de nossas vidas para garantir uma existência equilibrada e feliz:

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Figura: pirâmide das necessidades humanas (clique para ampliar). Fonte: GoodTherapy.Org

A “pirâmide das necessidades humanas”, como ficou conhecida esta figura, retrata também as diferentes etapas do desenvolvimento humano: ao longo da vida vamos adquirindo experiência e galgando os degraus rumo à autorrealização e autotranscendência.

Ela mostra, da base ao topo, as seguintes necessidades a serem atendidas:

Fisiológicas: Tudo que é necessário para manter a vida do corpo físico: respirar, comer, beber, etc.

Segurança: Ter saúde, estar livre de ameaças à integridade física/emocional/mental, segurança financeira.

Pertencimento: A uma comunidade, a relacionamentos de amizade e de amor. Estar bem nas questões de família, parceiros, cidadania.

Autoestima: Ter a si mesmo em boa consideração, autoconfiança, sentir-se aceito como se é.

Cognitivas: A busca por conhecer assuntos e atribuir sentidos ao que percebe.

Estéticas: A busca pela experiência de beleza, equilíbrio e harmonia das formas.

Autorrealização: A sensação de se estar vivendo o próprio potencial. O que deixa cada um autorrealizado varia muito de pessoa a pessoa.

Autotranscendência*: O sentido de conexão com a coletividade do planeta, com o universo, os sentidos mais profundos e espirituais da existência.

(*Este último nível foi acrescentado à pirâmide a partir do trabalho do psiquiatra austríaco Viktor Frankl, criador de uma abordagem psicoterápica chamada logoterapia, que ocupa-se primordialmente de auxiliar as pessoas a encontrar sentidos de vida.)

Uma subida não linear

Problemas ao longo do caminho podem acontecer e muitas vezes nos vemos precisando, mesmo já adultos, tendo de voltar a atender necessidades que antes já estavam preenchidas. É o caso de quem perde o emprego, por exemplo, e volta a se deparar com a necessidade de tomar providências para garantir a sua sobrevivência e segurança.

É natural que nem todas as pessoas ao final da sua jornada estarão bem resolvidas com todos os níveis da pirâmide, pois muitos fatores – tais como a pobreza, privações, doenças, limites individuais e outras circunstâncias – podem interferir nas possibilidades de desenvolvimento de cada um.

Ferramenta de autoconhecimento

Em meus atendimentos, eventualmente apresento aos pacientes a imagem desta pirâmide, pois penso que ela nos lembra de forma simples e autoexplicativa as diferentes dimensões das quais todos somos feitos e às quais devemos, se quisermos cuidar bem de nós, prestar sempre atenção.

Nossas diferentes necessidades são interconectadas e afetam umas às outras. Uma pessoa com a saúde física precária, por exemplo, pode sofrer de maior vulnerabilidade emocional. Nesses casos, parte da psicoterapia envolve motivá-la a honrar o próprio corpo como se fosse o templo da alma, procurando ficar mais em dia com as necessidades do seu corpo físico.

Em outros casos, observo que a experiência de não ter tido uma boa segurança física ou afetiva na infância parece desencadear na idade adulta maiores dificuldades com a manutenção de uma boa autoestima, ou dificuldades em manter relacionamentos saudáveis e seguros.

Compreender como essas diferentes dimensões da existência se entrelaçam em nossa história particular é um exercício terapêutico. Ele passa por falar de como nossas necessidades estão ou não sendo atendidas – ao longo de nossa história, no nosso contexto presente e nos planos que temos para o futuro.

Exercícios de autoconhecimento como esse nos ajudam a ter mais clareza a respeito de quem somos, identificando as mudanças que estão ao nosso alcance para podermos não só suprir melhor as nossas necessidades como também desenvolver os nossos melhores potenciais.

Referências:

Maslow’s Hierarchy of Needs. Verbete do site GoodTherapy.Org. Link: https://www.goodtherapy.org/blog/psychpedia/maslow-hierarchy-needs . Acessado em 19/4/2018.

Frankl, Viktor. Man’s Search for Meaning. London: Rider, 2008.


A conta bancária emocional dos relacionamentos

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Por Leonardo D’Ippolito

Nos filmes românticos é comum que alguns momentos mágicos sejam apresentados como o principal combustível de um bom relacionamento. Aquele jantar especial, aquela proposta de casamento surpreendente, as demonstrações de amor glorificantes… como quando ele invade a sala do trabalho da mulher para se declarar. Nas telas são esses tipos de evento que fazem a paixão, o amor e o final feliz.

Na vida real as coisas podem ser um pouco diferentes. Pois são os pequenos momentos, aparentemente insignificantes, que somados vão construir ou erodir o amor.

Imagine um marido saindo de casa para um compromisso. A mulher pergunta de última hora: ‘você sabe se acabou o sabão em pó?’. O marido pode responder de diferentes formas. ‘Não posso ver isso agora, já estou de saída’. Outra possível resposta: ‘não sei se acabou, mas deixa que eu aproveito e pego um no supermercado na volta’. Esse é um momento, à primeira vista, insignificante. Mas cada uma das respostas do marido vai gerar um sentimento diferente na esposa. Na primeira, o marido está se distanciando dela. Na segunda, ele está sendo inclusivo e considerativo.

Os relacionamentos são como uma conta bancária. Ao longo do tempo o casal pode fazer nela depósitos e saques. Quando a pessoa se vira para o seu parceiro de modo empático, ela está fazendo um depósito. Quando se distancia ou não se conecta com o sentimento do parceiro, está fazendo um saque. E esses saques e depósitos acontecem a toda hora na vida de um casal. Cada pequeno momento de interação pode gerar um depósito ou um saque. Eles podem tanto formar um colchão de segurança para tempos difíceis – um bom saldo na conta bancária emocional – ou podem gerar uma dívida difícil de ser superada.

O cruzeiro VIP e a viagem romântica para uma ilha grega não vão sozinhos fazer muito por um relacionamento. A satisfação de um casal com seu relacionamento está muito mais ligada ao quanto eles cuidam da conta bancária emocional, das atitudes que cada um tem pelo outro nas ocasiões mais simples e cotidianas da vida.

Se uma pessoa contribui positivamente para a conta emocional do casal, e se há um bom saldo nessa conta, no dia em que um conflito aparecer haverá uma disposição muito melhor do parceiro em querer resolver o conflito de modo tranquilo. Nesse cenário o casal vai sentir que ‘tudo bem, existe um conflito aqui, e o momento agora pode ser ruim, mas temos um histórico de coisas boas entre nós que nos ajuda a perceber que esse conflito é menos importante do que parece’.

Já quando há uma dívida, qualquer coisa boa poderá parecer ruim. As dívidas na conta bancária emocional podem provocar reações negativas automatizadas a situações que poderiam ser vistas como neutras ou positivas. Se as marcas negativas se acumulam em demasia, o casal tende a experimentar mais daquilo que o professor de psicologia John Gottman chama de ‘cavaleiros do apocalipse’ num relacionamento: a defensividade, a indiferença, a crítica destrutiva e o desprezo. A presença frequente desses sintomas indica que as dívidas estão se acumulando perigosamente.

Assim como é possível uma pessoa sair do vermelho em suas finanças, é possível a reversão de um padrão ruim da conta bancária emocional do casal para um padrão mais saudável. Uma atitude básica e bem prática neste sentido é os membros do casal lembrarem de fazer mais ‘depósitos’, estando atentos às tentativas de conexão do parceiro que acontecem a todo momento e respondendo a elas de modo positivo.

Os caminhos para a recuperação da saúde do relacionamento passam ainda pelo aprofundamento do conhecimento do outro (seus medos, planos, preferências e sonhos); pelo cultivo da afeição e da admiração (partindo do princípio que todos possuem elementos admiráveis); pelo voltar-se um para o outro com confiança e abertura; o aceitar a influência do parceiro (ou se permitir entrar em algum grau no mundo dele/a); e também pela criação e cultivo de objetivos compartilhados e significados de vida em comum. A arte de se relacionar se aperfeiçoa na medida em que vamos colocando em prática as boas resoluções e atitudes.


Felicidade na integridade

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Se meu percurso na psicologia ajudou-me a compreender como os elementos sociais e culturais podem impactar o funcionamento da psique humana, a experiência em psicoterapia vem confirmando esse entendimento e me mostrando, na prática, como os valores e discursos sociais servem de agentes repressores do equilíbrio emocional e da saúde mental de pessoas que chegam até o consultório.

Penso como Krishnamurti que não é um parâmetro de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente. Muitas vezes é necessária alguma medida de rebeldia se quisermos realmente salvaguardar a nossa própria sanidade.

Mas a rebelião não é uma revolta externa e destrutiva, e sim a efetivação destemida das reformas íntimas que clareiam nossa capacidade de discernir ao que devemos ceder e o que devemos negar ou até mesmo transformar, independentemente do que nos é sugerido de fora.

A forma com que conduzo minha vida deve ressoar com a pessoa que desejo ser, e não com o que o outro espera que eu seja. Essa região psíquica de liberdade – que na espiritualidade chamamos de livre arbítrio, e na psicologia chamamos de subjetividade – é um bem precioso pelo qual precisamos ativamente zelar, já que é frequentemente posto em risco por cobranças e valores culturais distorcidos e limitadores.

Ao longo de nosso desenvolvimento as mensagens socialmente ensinadas vão lentamente e inadvertidamente conquistando o seu espaço e se enraizando profundamente em nossa subjetividade. Não se pode subestimar o peso da palavra ‘ensinar’, pois ela compreende não só discursos, mas ações muito concretas que marcam nossos corpos, mentes e emoções.

Um exemplo simples: se cresci sendo ensinada que como mulher o caminho mais ‘adequado’ para ser feliz é casar-se e ter filhos, é provável que como adulta essa mensagem adquira um peso significativo em minha psique. Se porventura, pela força do espírito ou pelo desenrolar das circunstâncias a vida me conduzir por caminhos diferentes, essa discrepância entre a minha verdade e a verdade que me foi ensinada me leva a pensar, em algum nível, que ‘tem alguma coisa errada comigo’.

É muito comum observar essa dinâmica de abafar a voz do próprio coração para subscrever a sistemas de valores e práticas, verdadeiros scripts de vida que foram ensinados desde fora, mesmo quando eles não fazem sentido para o indivíduo e geram grande sofrimento.

Embora para tudo haja a medida certa do equilíbrio, eu arriscaria dizer que psiquicamente, em nossa sociedade, padecemos do mal do medo de ousar. Falta-nos coragem para questionar e transformar; para não apenas imaginar as mudanças que nos alinham com aquilo que podemos ser de melhor, mas encarnar em nossas próprias vidas o exemplo de tudo aquilo que acreditamos ser bom, justo e belo.

Falta-nos coragem, sim, pois o preço de se encarnar a liberdade é altíssimo – a sensação de andar na contramão da maré cultural, o julgamento do ignorante, e a ocasional solidão.

É assim ao menos até que nos encontremos com nossos bons pares, aqueles que compartilham conosco, à sua maneira, este mesmo modo de pensar. E então esse encontro de corações alinhados com a própria verdade gera as maiores alegrias que um coração pode experimentar.

Quem arrisca viver a sua verdade paga feliz o preço socialmente cobrado. E encanta, desde o poderoso silêncio de sua integridade, outros corações, que despertam e se encorajam em buscar logo, de forma íntegra, a sua própria felicidade.


Pensamentos construtivos – II

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A vida de que precisamos é aquela que temos. Melhorar o que for possível, sem prejudicar a si nem a ninguém, é uma tarefa pessoal e intransferível.

É preciso aprender a amar tudo aquilo e todos aqueles que se apresentam em nosso caminho. A vida que temos é a ponte para a vida que almejamos ter.

Manter o coração aberto é aceitar os presentes da vida sem criar deles dependência, mas também sem contaminá-los com a poeira do próprio ego.

O mal-estar sinaliza a presença do desequilíbrio e a necessidade de mudanças internas.

A maestria perante as provas da vida é proporcional à capacidade de pedir orientações – e de aceitá-las quando são recebidas.

Nem todos estão preparados para compreender e viver no amor pleno e puro.

Entorpecidos por inverdades, poucos são os que desejam de fato a paz.

O limite do discernimento é o momento da entrega e da confiança.

Vida é eterna vibração, movimento e crescimento. As zonas de conforto são sempre temporárias.

A consciência está em permanente expansão rumo ao inefável e ao infinito.


Pensamentos construtivos

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Aquilo que somos fala mais alto do que pensamos ou dizemos ser.

Nossas boas resoluções são como filhotes famintos: precisam ser alimentadas diariamente.

Uma mente saudável é aquela que sabe equilibrar a necessidade de agir com a de repousar.

Um coração forte e generoso sabe exercer a conexão compassiva sem perder a própria essência.

O olhar divinamente justo é aquele que reconhece o bem e o mal em si e nos outros, mas que escolhe dar atenção somente àquilo que é bom, em todas as circunstâncias.

O gesto desinteressado em benefício do outro é caminho de autocura para quem o realiza.

Tudo que você é capaz de compreender você é capaz de superar. Compreensão verdadeira é cura verdadeira.

Tudo em essência é Um, mas os caminhos para o Um são diversos. Unidade não é uniformidade. Tudo caminha, à sua maneira, para o Alto.


9 passos para melhorar a autoestima

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1.

Perceber quando está tendo um diálogo negativo consigo mesmo(a).

2.

Silenciar a voz negativa sobre si. Substituí-la por pensamentos mais equilibrados e realistas
(ver tabela abaixo* para alguns exemplos).

3.

Ser mais positivo a respeito de si. Falar consigo como um amigo ao invés de como um inimigo.

4.

Evitar ficar perto de pessoas que o colocam para baixo. Procurar companhias positivas e agradáveis.

5.

Fazer uma lista dos seus atributos positivos, das suas conquistas, dos elogios que recebeu, dos bons pensamentos que tem sobre si mesmo. Olhar essa lista diariamente. Atualizar ela sempre que lembrar de algo positivo a respeito de si.

6.

Aceitar e perdoar as próprias imperfeições. Todos erramos, mas o fato de errarmos não nos impede de aprender e melhorar na próxima tentativa. A vida continua a nos dar oportunidades de melhorar!

7.

Participar de trabalhos de caridade em alguma causa que toque você. Você ajuda alguém que precisa e por sua vez experimenta a sensação de gratificação por ser útil. Todos ganham!

8.

Cuidar da saúde física, com bons hábitos de exercício, repouso, alimentação e apresentação pessoal.

9.

Incluir na sua vida hobbies que lhe façam bem física e mentalmente, que despertem prazer e paz, e que se encaixem com seu temperamento pessoal (ex: artesanato, pintura, música, leitura, sair com bons amigos, frequentar grupo com ideias afins e interesses comuns).

——

*Autoestima: padrões de pensamento

Baixa autoestima:
Pensamentos negativos sobre si
Autoestima saudável:
Pensamentos positivos e justos sobre si
   “Não sou capaz”    “Sei fazer algumas coisas bem”
   “Não posso ser feliz”    “Tenho o direito de ser feliz”
   “Mereço meu sofrimento”    “Mereço ser feliz”
   “Não me encaixo no padrão desejável”    “Eu me permito me guiar pela minha verdade, e não pelos valores dos outros”
   “Nada do que faço dá certo”    “Já superei alguns desafios e tive sucesso em algumas situações”
   “Tudo é difícil para mim”    “A vida me apresentou certos desafios. Sou capaz de aprender com eles, usá-los para amadurecer e fazer algo positivo”
   “Não sou bonito(a)”    “Quando estou bem comigo, minha beleza resplandece”
   “Os outros pensam mal de mim”    “Eu sou a pessoa mais capaz de fazer uma avaliação justa de mim. Só eu sei o que é estar na minha pele”

Simplicidade e Florais de Bach

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Imagem: Floresta de Larch (Larix decidua) – cedro típico das montanhas da Europa Central.

Artigo escrito por Abelardo José Quijada, BFRP, Espanha
Publicado originalmente em inglês. Tradução por Samantha Sabel

“Na aparente complexidade do universo existe um mecanismo silencioso e muitas vezes esquecido: a simplicidade. Nós a vemos nas crianças, na sua simplicidade e alegria. Sim, cada crença, quer seja ela consciente ou inconsciente, carrega implícita dentro de si uma forma de ver e perceber a vida que influencia a maneira como agimos. E nós tendemos a complicar as coisas com a crença de que uma maior complexidade traz melhores resultados.

Os florais por outro lado são um exemplo claro de simplicidade. Eles trabalham elevando as vibrações das pessoas que não estão em harmonia, trazendo-as de volta para um estado mais positivo, restaurando o seu equilíbrio e, com ele, a saúde.

É de conhecimento comum que podemos apenas oferecer aquilo que temos, e não podemos dar amor aos nossos companheiros de vida se não amarmos primeiro a nós mesmos. Podemos ver o quanto as flores têm para dar observando como elas são na natureza. Elas demonstram coragem – aquelas florzinhas que crescem nas beiras de autoestradas. Elas mostram determinação e decisão – sequer perguntando se o lugar onde estão crescendo é melhor ou pior, mas simplesmente experienciando-o. Elas mostram interesse pela vida – sempre florescendo, sorvendo os raios do sol todos os dias – e uma habilidade de viver em solidão – aquelas flores que aparecem em locais desérticos onde nada mais vive. Elas aceitam sem reclamar os efeitos em si do meio ambiente e da ação humana, e demonstram esperança e fé frente aos testes mais duros – perceba aquelas plantas que retornam de uma quase morte com apenas um pouco de água e luz. Elas são, num certo sentido, sensíveis ao sofrimento dos outros sem perder a própria individualidade – há um ditado espanhol que diz que ‘uma árvore não se recusa a dar sombra nem mesmo ao lenhador’- e como um fator que se aplica a todas as situações, elas são um exemplo de amor puro, da vibração mais alta que impregna tudo: uma flor não recusa o seu perfume nem mesmo aos pés que a esmagam.

Estas qualidades são as mesmas dos sete grupos em que o Dr. Bach, este grande conhecedor da vida, das flores e da simplicidade, agrupou o seu sistema de essências florais. Este sistema é um repertório completo de autoconhecimento, crescimento e saúde no qual nos percebemos como parte única do mundo que cria não apenas a nossa realidade mas aquela de tudo que existe. Podemos recuperar não apenas nossa saúde, mas o nosso senso de responsabilidade e poder, não nos sentindo mais precisando reclamar das pessoas, das doenças ou situações que nos fazem ou fizeram infelizes.

Se algum dia você se encontrar sentindo medo ou incerteza, uma falta de interesse pela vida, sentindo-se sozinho, vulnerável, desesperado ou preocupado, olhe ao seu redor. Você certamente encontrará uma flor ou uma árvore que irão lembrá-lo de quem você é e de qual é a sua real natureza.”


A autoestima é do Ser, a vaidade é do ter

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Tenho percebido em meu trabalho que um dos ingredientes mais importantes para se conseguir boas transformações pessoais é o fortalecimento da autoestima.

A autoestima é o resultado de uma harmonia entre os nossos valores íntimos, aqueles que adquirimos ao longo da nossa formação de caráter, e a nossa forma de ser. Assim, uma pessoa com boa autoestima é aquela que ajusta a sua vida, a sua forma de ser, àqueles valores que considera mais importantes. Ao realizar na vida ações que estão de acordo com os seus valores íntimos, a pessoa desenvolve um senso de bem estar, um contentamento interno que é fonte de grande força para enfrentar as adversidades.

A autoestima não deve ser confundida com a vaidade. A vaidade é uma satisfação superficial e efêmera que se consegue a partir da admiração dos outros. Carros, roupas, dinheiro, aparência física, títulos, símbolos de status e posses em geral podem despertar admiração alheia e alimentar em nós a vaidade, mas ela por si não é o suficiente para cultivarmos um bem estar íntimo e duradouro. A satisfação real consigo mesmo provém apenas de uma autoestima bem desenvolvida.

Assim, compreendemos o sentido da frase “O Ser é mais importante do que o ter”. O “ter” é relativo à vaidade e se refere a algo apenas momentaneamente prazeroso, sem sustentação própria. Já O Ser é o reino da autoestima, e não precisa de testemunhas externas para se consolidar.

A autoestima, fonte real de felicidade e resiliência, depende principalmente do nosso próprio testemunho a respeito de nós mesmos, de estarmos trilhando um caminho válido, correto e que faça sentido para nós.

E como acertadamente ponderou o psiquiatra Flávio Gikovate ao final do vídeo abaixo, a autoestima não é um ponto a se atingir para nele se estagnar. A sua manutenção exige uma permanente dedicação, um constante realizar das coisas que de fato valorizamos e em que verdadeiramente acreditamos.


Quando os velhos fantasmas do trauma ressurgem

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Por Denise Olesky
Publicado originalmente em Inglês no website GoodTherapy.org
Tradução por Samantha Sabel

Você explorou os seus traumas emocionais da infância, os seus gatilhos, e aprendeu a reformular os seus pensamentos negativos. Você entendeu como as suas experiências passadas afetam os seus comportamentos, pensamentos e sentimentos hoje. Você treina a atenção plena e se dedica continuamente ao autocuidado. Em outras palavras, você avançou bastante em sua jornada terapêutica para superar as dificuldades anteriores. Você nunca se sentiu melhor em relação a si mesmo, e está orgulhoso do conhecimento sobre si que ganhou.

E então seu novo namorado rompe com você e – BAM! – de repente você está tendo dificuldades de novo. Você se preocupa com o que você se parece. Sente que pode se atrapalhar com as palavras. Preocupa-se que alguém o perceberá tropeçando no próprio cadarço. Seus pensamentos viram um furacão. A confusão começa a se infiltrar.

Você trabalhou tão duro para superar os seus problemas de infância. Trabalhou arduamente para reformular os pensamentos negativos. Para aprender boas técnicas de respiração e implementá-las em situações difíceis. Mas agora você está cara a cara com uma pessoa que havia esquecido há muito tempo. Você se olha no espelho e a pessoa olhando para você diz: “Eu ainda não sou bom o suficiente”.

O que aconteceu?

Alterar as crenças sobre si mesmo e melhorar a autoestima é um trabalho difícil. Pode levar meses e até anos para descobrir e reformular as suas distorções cognitivas. Sim, você explorou a sua infância para aprender as origens dos seus pensamentos negativos. Sim, você aprendeu a identificar os gatilhos e como reformular seus pensamentos irracionais. Sim, sua jornada é um caminho novo e saudável e você se sente maravilhoso todos os dias. No entanto, você nunca fica livre de todos os eventos em sua vida que compõem sua história – e de vez em quando, nossa história pode nos fazer uma visita de um jeito que não antecipávamos. Podemos ser provocados.

Um funeral pode nos lembrar da passagem de tempos atrás de um ente querido. O cheiro da grama cortada pode nos lembrar dos dias de infância dos quais sentimos saudades. Uma música pode trazer memórias dolorosas de abuso ou trauma. Um relacionamento quebrado pode trazer sentimentos enterrados de abandono. Uma nova pessoa em nossas vidas pode inesperadamente nos deixar inseguros com relação a nós mesmos. De repente, podemos ficar chateados, ansiosos ou mesmo deprimidos quando a superfície dos eventos trazem lembranças antigas e crenças negativas. Podemos sentir que estamos voltando a velhos comportamentos, pensamentos e sentimentos que tínhamos conseguido processar e afastar anteriormente, o que pode nos deixar sentindo que de alguma forma nós nos perdemos no presente.

O que fazer quando você se sentir provocado

A cura é um processo similar ao das marés: tem fluxo e refluxo. Quando você se sente instigado, tire um tempo para entender o que lhe provocou e como você está reagindo à situação. O que você está sentindo? Como o seu corpo está reagindo? Você tem um “nó” no estômago? Você está entrando em pânico? Você já se sentiu assim antes? Se assim for, quando? Lembre-se sempre de que quando você se sentir provocado e os sentimentos e pensamentos antigos voltarem a surgir, esses momentos passarão.

Revise seu trabalho terapêutico anterior. Revise fantasmas antigos e explore como eles podem estar afetando você agora. Explore sentimentos anteriores e como sua situação atual pode estar levando você a se sentir da mesma maneira. Existem semelhanças? Explore os pensamentos negativos anteriores. Você se sente inferiorizado? Você se sente indigno de ser amado? O que na sua história causou esses pensamentos? Como a sua situação atual realça tais pensamentos novamente?

Reveja as suas habilidades de enfrentamento: reformulação de pensamentos negativos, respiração profunda, treinamento de atenção plena, exercício e outras formas de autocuidado. Não existimos sem o nosso eu anterior, não importando o quanto possamos querer deixá-lo para trás. Ele pode até nos visitar de tempos em tempos.

Quando seu eu anterior retornar, diga a ele: “Olá, amigo antigo. Eu sei quem você é. Eu sei como você se sente. Veja como eu posso te ajudar.” Aceitar-se, incluindo o passado e o presente e todas as suas falhas, é a chave para uma cura contínua. Abrace quem você é agora… e também quem você já foi uma vez.

Denise Olesky é terapeuta em Doylestown, Pensilvânia, E.U.A.